Por que tentar eliminar sua distração pode estar te atrapalhando?
- Debora Almeida
- 23 de jun.
- 3 min de leitura
Ontem fiz um exercício de auto-observação para identificar quanto tempo eu fico distraída no celular.
O resultado? Em três vezes em que peguei o celular para confirmar atendimentos, fazer um storie e resolver algo rápido, consegui identificar cerca de 30 minutos de distração. Nada de excepcional ou diferente da maioria. Mas creio que a maior diferença está em como vou usar essa informação.

O celular é uma ferramenta importante do meu trabalho. É por ele que me comunico com pacientes, produzo conteúdos, estudo, respondo mensagens e compartilho reflexões. Mas também é por ele que, às vezes, me distraio.
Ao notar aqueles 30 minutos, eu poderia ter seguido um caminho bastante conhecido.
Poderia me criticar.
Poderia concluir que preciso de mais disciplina.
Poderia dizer para mim mesma que preciso ter mais foco, mais controle ou mais produtividade.
Mas escolhi fazer uma pergunta diferente:
O que essa distração está me mostrando sobre mim?
Vivemos em uma época que busca explicações rápidas para tudo. Queremos identificar o problema, dar um nome a ele e encontrar uma solução definitiva.
Mas nem tudo o que nos incomoda é um problema a ser eliminado.
Algumas coisas são apenas características humanas.
E características não são necessariamente boas ou ruins.
Dependendo da situação, elas podem nos ajudar.
Dependendo da situação, podem nos atrapalhar.
A mesma pessoa que se distrai facilmente pode ser extremamente criativa.
A mesma mente que salta de assunto em assunto pode ser capaz de fazer conexões que outras pessoas não percebem.
A mesma pessoa que perde o foco em determinadas tarefas pode demonstrar uma enorme capacidade de concentração quando está envolvida com algo que considera significativo.
Quando observamos nossas características dessa forma, algo muda.
Saímos da lógica da luta e entramos na lógica da compreensão.
E compreender não significa se acomodar.
Não significa usar uma característica como desculpa para não mudar nada.
Significa reconhecer a realidade para poder agir de forma mais inteligente.
Se sei que tenho facilidade para me distrair, posso criar estratégias para lidar com isso.
Posso silenciar notificações.
Posso estabelecer períodos específicos para determinadas atividades.
Posso organizar melhor meu ambiente.
Posso fazer pausas conscientes.
Posso desenvolver hábitos que favoreçam meus objetivos.
Percebe a diferença?
Não estou tentando eliminar uma parte de mim.
Estou aprendendo a conviver com ela de forma mais saudável.
Muitas vezes, gastamos tanta energia tentando não sentir, não pensar, não errar ou não apresentar determinadas características que sobra pouca energia para aquilo que realmente importa.
A luta constante contra nós mesmos pode ser muito mais desgastante do que a característica que estamos tentando combater.
Talvez você esteja fazendo isso com a distração.
Talvez esteja fazendo isso com a ansiedade.
Talvez com a necessidade de agradar.
Talvez com a insegurança.
Talvez com alguma outra parte de você que insiste em aparecer.
E se, em vez de perguntar "como faço para acabar com isso?", você experimentasse perguntar:
"Como posso compreender melhor essa característica e agir de forma alinhada aos meus objetivos, aos meus valores?"
Essa mudança de perspectiva não elimina as dificuldades da vida.
Mas costuma trazer algo muito valioso: clareza.
E quando temos clareza, fazemos escolhas melhores.
Não porque nos tornamos perfeitos.
Mas porque deixamos de desperdiçar energia tentando vencer uma guerra contra nós mesmos.
O autoconhecimento não é uma busca por defeitos para corrigir.
É um processo de compreensão.
É aprender a reconhecer quem você é, quais são seus desafios, quais são suas potencialidades e quais estratégias podem ajudá-lo a construir a vida que deseja.
Talvez a distração não seja o problema.
Talvez o problema seja acreditar que você precisa eliminar tudo aquilo que faz parte de quem você é.
E talvez o caminho esteja justamente em aprender a se observar com mais curiosidade e menos julgamento.
Porque, muitas vezes, a compreensão produz mudanças muito mais profundas do que a crítica jamais conseguiria produzir.
Lembre-se, você é sua maior responsabilidade.
Um abraço



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