Quando o cérebro entra em modo de ameaça: como regular a ansiedade imaginária
- Debora Almeida
- há 18 minutos
- 2 min de leitura
Há momentos em que o corpo reage como se algo muito perigoso estivesse acontecendo: o coração acelera, a respiração encurta, a mente corre. Mas, quando olhamos ao redor, nada de concreto está acontecendo agora.
Ainda assim, o cérebro insiste: “e se?”
Isso acontece porque nosso sistema de ameaça não reage apenas ao que é real. Ele reage ao que é possível, imaginado, antecipado.

O sistema de ameaça não é o vilão
Entendemos que o cérebro humano evoluiu para detectar perigos rapidamente. Esse sistema é responsável por nos manter vivos.
O problema surge quando ele:
fica ativado por longos períodos
reage a cenários que ainda não existem
passa a comandar decisões, evitando a vida
A ACT nos ajuda a dar um passo importante aqui: parar de lutar contra o funcionamento do cérebro e começar a nos relacionar com ele de outra forma.
Pensamentos não são ordens nem previsões
Quando estamos fusionados aos pensamentos, eles soam como verdades absolutas. Uma prática simples e poderosa da ACT é aprender a nomear:
“Estou tendo o pensamento de que algo ruim vai acontecer.”
Essa pequena distância muda tudo. O pensamento continua existindo, mas deixa de ser o diretor da cena.
Regular o corpo vem antes de convencer a mente
Ansiedade não se acalma com argumentos, ela se acalma com sinais de segurança.
Respirações mais lentas, posturas de acolhimento e um tom interno gentil ajudam o corpo a sair do modo de ameaça e acessar o sistema de acalmamento.
Compaixão não é passar a mão na cabeça.
Compaixão é dizer ao medo:
“Eu te vejo, mas você não precisa me proteger agora.”
Quando ativamos um tom interno mais caloroso, o cérebro recebe a mensagem de que não estamos sozinhos com aquilo.
Agir com valores, mesmo com medo
ACT não propõe eliminar a ansiedade, mas viver apesar dela.
A pergunta que muda o foco é:
“Mesmo com esse medo, que pequena ação hoje me aproxima da vida que eu quero viver?”
Ansiedade presente.
Vida acontecendo.
O cérebro está tentando proteger, não sabotar. Quando há acolhimento, o alarme pode descansar.
Um abraço



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