O que muda quando você para de lutar contra a ansiedade
- Debora Almeida
- há 1 hora
- 2 min de leitura
Se você convive com ansiedade, talvez já tenha desejado que ela simplesmente desaparecesse.
Silenciar. Controlar. Eliminar.
Essa é uma reação compreensível afinal, a ansiedade costuma chegar trazendo desconforto, pensamentos repetitivos, tensão no corpo e uma sensação constante de alerta.
Mas e se, em vez de uma inimiga, a ansiedade fosse vista como uma tentativa falha de proteção?
Essa mudança de olhar não é apenas poética.
Ela é profundamente terapêutica.

A função esquecida da ansiedade
Do ponto de vista evolutivo, a ansiedade existe para proteger. Ela ativa o corpo quando há ameaça, prepara para agir, evita riscos.
Logo, o problema não é a presença da ansiedade.
O problema é quando o sistema de ameaça fica ativado mesmo sem perigo real.
Nessas situações, o corpo reage como se algo grave estivesse prestes a acontecer, mesmo quando o risco está apenas na imaginação, em memórias ou em antecipações do futuro.
A ansiedade não está tentando te sabotar como muitos pensam.
Na verdade, ela está tentando evitar que você sofra.
Só que faz isso de forma exagerada e desatualizada.
Quando lutar contra a ansiedade aumenta o sofrimento
Muitas pessoas entram em um ciclo silencioso:
• Sentem ansiedade
• Julgam essa ansiedade como fraqueza
• Tentam controlar ou evitar o que sentem
• Ficam ainda mais vigilantes aos sinais do corpo
O resultado? Mais ansiedade.
Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), aprendemos que lutar contra experiências internas costuma ampliar o sofrimento. Não porque aceitar seja "gostar" da ansiedade. Mas porque parar de lutar libera energia para viver.
Um convite diferente: escutar antes de reagir
Quando a ansiedade surge, experimente trocar a pergunta:
"Como faço para parar isso agora?"
por
"O que essa ansiedade está tentando me proteger?"
Talvez ela esteja avisando sobre:
• medo de errar
• desejo de aprovação
• necessidade de segurança
• valores importantes que estão em jogo
Essa escuta muda tudo. Ela ativa um outro sistema emocional: o sistema de cuidado e regulação.
O papel da autocompaixão nesse processo
Na Terapia Focada na Compaixão, entendemos que o corpo precisa sentir segurança para sair do modo ameaça.
Isso não acontece com cobranças internas. Acontece com acolhimento.
Autocompaixão não é passar a mão na cabeça.
É reconhecer:
"Estou sofrendo. E faz sentido que eu esteja assim."
Esse reconhecimento, por si só, já começa a regular o sistema nervoso.
Um exercício simples para o dia a dia
Quando perceber a ansiedade chegando:
Pare por alguns segundos
Leve a mão ao peito ou ao abdômen
Inspire profundamente pelo nariz
Ao expirar, diga mentalmente: "Obrigada por tentar me proteger. Agora eu posso cuidar disso."
Não espere que a ansiedade desapareça.
Espere apenas que ela diminua o volume.
Isso já é mudança.
Ansiedade não precisa ser sua inimiga
Você não precisa, e nem deve, eliminar a ansiedade para viver bem. Precisa aprender a se relacionar com ela de outra forma.
Com mais consciência. Com mais gentileza. Com mais escolhas alinhadas ao que realmente importa.
Se a ansiedade tem sido uma companheira difícil, talvez o caminho não seja expulsá-la, mas transformar essa relação.
E isso pode ser aprendido.
Se esse texto fez sentido para você, talvez seja um sinal de que está na hora de olhar para a ansiedade com menos luta e mais cuidado.
Um abraço



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