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O que muda quando você para de lutar contra a ansiedade

Se você convive com ansiedade, talvez já tenha desejado que ela simplesmente desaparecesse.

Silenciar. Controlar. Eliminar.

Essa é uma reação compreensível afinal, a ansiedade costuma chegar trazendo desconforto, pensamentos repetitivos, tensão no corpo e uma sensação constante de alerta.

Mas e se, em vez de uma inimiga, a ansiedade fosse vista como uma tentativa falha de proteção?

Essa mudança de olhar não é apenas poética.

Ela é profundamente terapêutica.



A função esquecida da ansiedade


Do ponto de vista evolutivo, a ansiedade existe para proteger. Ela ativa o corpo quando há ameaça, prepara para agir, evita riscos.


Logo, o problema não é a presença da ansiedade.

O problema é quando o sistema de ameaça fica ativado mesmo sem perigo real.


Nessas situações, o corpo reage como se algo grave estivesse prestes a acontecer, mesmo quando o risco está apenas na imaginação, em memórias ou em antecipações do futuro.


A ansiedade não está tentando te sabotar como muitos pensam.

Na verdade, ela está tentando evitar que você sofra.

Só que faz isso de forma exagerada e desatualizada.


Quando lutar contra a ansiedade aumenta o sofrimento


Muitas pessoas entram em um ciclo silencioso:

• Sentem ansiedade

• Julgam essa ansiedade como fraqueza

• Tentam controlar ou evitar o que sentem

• Ficam ainda mais vigilantes aos sinais do corpo


O resultado? Mais ansiedade.


Na Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), aprendemos que lutar contra experiências internas costuma ampliar o sofrimento. Não porque aceitar seja "gostar" da ansiedade. Mas porque parar de lutar libera energia para viver.


Um convite diferente: escutar antes de reagir


Quando a ansiedade surge, experimente trocar a pergunta:


"Como faço para parar isso agora?"

por

"O que essa ansiedade está tentando me proteger?"


Talvez ela esteja avisando sobre:


• medo de errar

• desejo de aprovação

• necessidade de segurança

• valores importantes que estão em jogo


Essa escuta muda tudo. Ela ativa um outro sistema emocional: o sistema de cuidado e regulação.


O papel da autocompaixão nesse processo


Na Terapia Focada na Compaixão, entendemos que o corpo precisa sentir segurança para sair do modo ameaça.

Isso não acontece com cobranças internas. Acontece com acolhimento.

Autocompaixão não é passar a mão na cabeça.

É reconhecer:

"Estou sofrendo. E faz sentido que eu esteja assim."


Esse reconhecimento, por si só, já começa a regular o sistema nervoso.


Um exercício simples para o dia a dia


Quando perceber a ansiedade chegando:

  1. Pare por alguns segundos

  2. Leve a mão ao peito ou ao abdômen

  3. Inspire profundamente pelo nariz

  4. Ao expirar, diga mentalmente: "Obrigada por tentar me proteger. Agora eu posso cuidar disso."


Não espere que a ansiedade desapareça.

Espere apenas que ela diminua o volume.

Isso já é mudança.


Ansiedade não precisa ser sua inimiga

Você não precisa, e nem deve, eliminar a ansiedade para viver bem. Precisa aprender a se relacionar com ela de outra forma.

Com mais consciência. Com mais gentileza. Com mais escolhas alinhadas ao que realmente importa.

Se a ansiedade tem sido uma companheira difícil, talvez o caminho não seja expulsá-la, mas transformar essa relação.


E isso pode ser aprendido.


Se esse texto fez sentido para você, talvez seja um sinal de que está na hora de olhar para a ansiedade com menos luta e mais cuidado.


Um abraço

 
 
 

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Com Debora Schmitt de Almeida – CRP 08/22277
Psicóloga com mais de 10 anos de experiência, ajudando adultos a reencontrarem equilíbrio emocional, clareza nas decisões e leveza nas relações.

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