Quando a Ansiedade Aumenta no Fim de Ano: entendendo e lidando com isso
- Debora Almeida
- 17 de dez.
- 3 min de leitura
Para muitas pessoas, o fim de ano não é apenas sinônimo de festas, reencontros e celebrações. É também um período em que a ansiedade se intensifica, às vezes de forma silenciosa, outras vezes de maneira bastante evidente.
Se você sente que sua ansiedade aumenta nessa época, saiba: isso é mais comum do que parece. E não significa que há algo errado com você.

Por que a ansiedade tende a aumentar no fim de ano?
O encerramento de um ciclo costuma ativar processos internos importantes. Mesmo quando não percebemos conscientemente, o corpo e a mente entram em um modo de avaliação, comparação e antecipação.
Alguns fatores frequentes:
Expectativas sociais elevadas: existe uma pressão implícita para estar feliz, grato, em paz e cercado de pessoas queridas.
Balanços internos: o fim do ano convida a revisitar escolhas, perdas, conquistas e frustrações.
Convívio familiar intenso: reencontros podem reativar dinâmicas antigas, conflitos não resolvidos ou papéis que já não fazem mais sentido.
Incertezas sobre o futuro: o novo ano pode trazer esperança, mas também medo, insegurança e autocobrança.
Tudo isso pode ser vivido como um excesso de estímulos emocionais e a ansiedade surge como uma tentativa do organismo de lidar com essa sobrecarga.
A armadilha da “obrigação de estar bem”
Uma das maiores fontes de sofrimento no fim de ano é a ideia de que deveríamos estar bem.
Quando tristeza, cansaço, irritação ou ansiedade aparecem, muitas pessoas tentam afastar essas emoções rapidamente, sentindo culpa ou inadequação por não corresponderem ao clima esperado.
Na prática, quanto mais lutamos contra o que sentimos, mais intensas essas emoções tendem a ficar.
Aqui, um ponto importante: sentir ansiedade não é sinal de fracasso emocional. É um sinal de que algo em você está pedindo atenção, cuidado ou limites.
Como lidar com a ansiedade no fim de ano de forma mais gentil
Não se trata de eliminar a ansiedade, mas de mudar a forma como você se relaciona com ela.
Nomeie o que está sentindo
Pergunte a si mesmo(a): “O que exatamente está me deixando ansioso(a) agora?”
Às vezes não é a festa em si, mas o medo de desagradar, de ser julgado(a) ou de reviver situações desconfortáveis.
Dar nome às emoções ajuda a reduzir a confusão interna.
Diminua expectativas irreais
Você não precisa:
resolver todos os conflitos familiares;
estar disponível o tempo todo;
aproveitar cada momento;
começar o ano com todas as respostas.
Autorizar-se a viver um fim de ano possível, e não perfeito, já reduz consideravelmente a ansiedade.
Crie pequenas pausas conscientes
Mesmo em meio às festas, seu sistema nervoso precisa de intervalos.
Algumas sugestões simples:
Respire lenta e profundamente por 1 minuto;
Vá ao banheiro e perceba seu corpo apoiado no chão;
Saia para tomar um pouco de ar;
Observe conscientemente cinco coisas ao seu redor.
Pequenas pausas ajudam o corpo a sair do estado de alerta constante.
Estabeleça limites internos e externos
Você pode não conseguir controlar tudo o que será dito ou feito, mas pode escolher como se posicionar internamente.
Alguns exemplos:
Não entrar em discussões previsivelmente desgastantes;
Mudar de assunto quando perceber sinais de tensão;
Ir embora mais cedo se necessário;
Lembrar-se de que você não precisa convencer ninguém de nada.
Limites não afastam, eles protegem.
E se, mesmo assim, a ansiedade estiver muito intensa?
Se você perceber que:
os sintomas físicos estão frequentes (taquicardia, dor no estômago, falta de ar);
os pensamentos estão acelerados ou catastróficos;
há dificuldade para dormir ou relaxar;
talvez seja um sinal de que você precisa de apoio emocional mais estruturado.
A psicoterapia oferece um espaço seguro para compreender seus gatilhos, aprender a se relacionar melhor com a ansiedade e atravessar períodos emocionalmente intensos com mais recursos.
Para finalizar
O fim de ano não precisa ser um teste de resistência emocional.
Você pode atravessá-lo com mais consciência, acolhimento e respeito aos seus limites, mesmo que a ansiedade esteja presente.
Lembre-se: viver em calma não significa ausência de emoções difíceis, mas a capacidade de caminhar com elas de forma mais gentil.
Se fizer sentido para você, continue acompanhando os conteúdos do Viva em Calma. Aqui, a ansiedade não é vista como inimiga, mas como um sinal que pode nos ensinar sobre nós mesmos.
Um abraço



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